Never Let You Go – Parte 1

Capítulo 1 – Mais um trabalho concluído 

Hayley acordou animada. Era o último dia de gravação do novo clipe da Paramore: Monster.

Mas não era para tanto, tantas noites sem dormir, tanto cansaço acumulado. Ela precisava mostrar aos fãs que a banda ainda continuava, firme e forte.

- Então é isso, vamos mostrar quem somos. - Disse Jeremy abrindo um enorme sorriso.

Os três chegaram ao hospital, macabro abandonado, para começar as últimas gravações.

E como sempre, Taylor não perdia uma oportunidade para fazer gracinhas.

Eles vestiram suas roupas e então seguiram as instruções do diretor. Horas se passaram.

Hayley estava aliviada, assim como estava totalmente exausta. As gravações haviam terminado. O clipe estava quase pronto. Ela estava pedindo um banho e umas boas horas de sono. Mas isso não a impedia de pensar em tudo que havia passado. Ela havia prometido a si mesma que esqueceria os Farro. Principalmente Josh.

Não é que ela ainda o amasse, mas eles eram como irmãos. Grandes irmãos. E depois do que ele fez...

No carro Hayley ainda matutava sobre como seria a reação dos seus fãs depois de ver o novo clipe. Ela não se sentia insegura. Foram tantas músicas de sucesso, porque logo essa daria errado? Hayley sentia ódio. Ela sentia que precisava que Monster fosse um dos seus melhores trabalhos, ou até o melhor, precisava mostrar aos Farro que a Paramore não precisava deles. “Eles vão ter que nos aguentar, traidores”, pensou Hayley, os dentes trincando.

- Chegamos ao hotel. Ah, e se eu não levantar não me dêem como morto, só é o cansaço. - Disse Taylor sarcasticamente e saindo do carro. Hayley riu.

Hayley olhou em seu relógio, era uma da manhã, haviam chegado muito tarde. Passara o dia gravando.

- Preciso de um banho escaldante e de um sono muuuuuito profundo. Vejo vocês amanhã! - Exclamou Hayley entrando na sua suíte do hotel.

“Oh Deus, tinha tanta coisa em minhas mãos para fazer que acabei me esquecendo que tenho um namorado, onde está meu celular?” disse Hayley. Ela tinha um hábito de falar consigo mesma, devido a sua solidão nos quartos de hotéis. Procurava seu celular, quando se deu conta que estava no bolso do seu jeans. Ela ligou cinco vezes para Chad e não obteve nenhuma resposta. O celular tocava, mas ninguém atendia. Ela não fazia ideia do que ele poderia estar fazendo, ela só pensava em dormir. Sua cama parecia ser um imã, e ela um ferro, sendo puxada. Hayley caiu na cama de mau jeito. Ela gemeu de cansaço e caiu no sono. Não havia coisa melhor no mundo naquele momento, senão a sua cama enorme e aquele colchão macio.

Capítulo 2 – Outra vez abandonada

Espero que seja realmente importante essa ligação.

Lá estava Hayley procurando outra vez seu celular. Dessa vez ele estava tocando. Por um momento ela achou que fosse outra brincadeira de mal gosto de Taylor, como da última vez, dois dias atrás, em que ele ativou o despertador em seu aparelho telefônico e ela acordou nauseada às cinco da manhã. Mas não, no visor, lia-se: 1 chamada perdida: Chad.

Hayley jurou naquele momento que nunca mais faria zilhões de ligações seguidas para seu namorado. Não se ele fosse retornar quatro horas depois, às cinco horas da manhã de sexta-feira.

Ela segurou o celular, com tanta força, que acho que se fosse um hamster, ele teria morrido. Ela parecia estar míope. Digitou os números de Chad e ouviu não a voz dele, mas de outro homem. Era uma voz grave, e dava pra se ouvir barulhos de pessoas ao redor, carros. E o que chamou mais a atenção de Hayley, foi uma sirene. Era uma ambulância.

- Alô? Senhora Hayley?

- Sim, o que houve? - Perguntou ela, tão preocupada. Nesses meios segundos, Hayley rezou. Pediu que não fosse o que ela pensava.

Nós encontramos, nos destroços do carro de Chad Gilbert, o seu celular. Tentamos entrar em contato com algumas pessoas e só vimos que na sua agenda, tinha o seu nome e que encaixava na categoria de namorada.

- O que houve?                              

- Ele sofreu um acidente, gravíssimo. Capotou em um barranco, indo para Nova Iorque. - Respondeu um paramédico. Sua voz serena.

Hayley não conseguiu dizer nada. O celular estava caindo de sua mão, assim como uma lágrima caía dos seus olhos. “Chad, por favor, aguenta...”, foram os últimos pensamentos de Hayley antes de sair do quarto e acordar todo mundo.

 

Capítulo 3 – Não se restam mais lágrimas

 

Hayley saiu correndo do seu quarto. O celular no chão, o paramédico havia sido deixado na linha, depois do aviso, falando sozinho. Hayley estava com medo. Chad não podia morrer.

Ela foi até o quarto ao lado e bateu na porta, gritando por Taylor e Jeremy. Eles acordaram assustados e a viram naquele estado: chorando, encabulada e inquieta.

- Hay, o que houve? - disse Jeremy, sua cara era de total espanto.

- O Chad, um paramédico me ligou e... e ele capotou, me ajudem, preciso vê-lo. - Hayley não conseguia expressar-se. Só queria ver Chad.

Taylor e Jeremy se entreolharam. Não sabiam o que fazer.

Hayley estava aflita. Estava em Chicago, distante de Nova Iorque. Não iria poder ver Chad. Não naquela noite. Ela sabia disso, mas precisava saber de qualquer notícia que fosse. Queria ver Chad. Queria abraçá-lo.

Então, da porta do quarto ao lado, Hayley ouviu seu celular tocar mais uma vez. Taylor correu para atender, enquanto Jeremy vinha atrás com Hayley, que se sentou na cama.

- Ela está aqui, só um momento. - Disse Taylor entregando o celular a Hayley.

Ela hesitou por um momento, sentia desconforto em falar ao celular, com quem quer que fosse, naquela noite, enquanto sabia ela, que seu namorado, Chad Gilbert, sofrera um acidente. Então ela segurou o celular e com dificuldades, disse:

- Alô? - Hayley sentira um calafrio enorme nesse momento.

- Oh meu Deus, Hayley, querida, eu acabei de saber, oh meu Deus, que pesadelo.

Hayley começou a chorar. Por um momento, não soube quem estaria falando, mas depois reconheceu a voz da pessoa na outra linha. Era a mãe de Chad.

- A senhora está indo vê-lo? - Perguntou Hayley.

- Não tenho como, não agora, estarei pegando um voo para NY amanhã.

- Farei o mesmo. - Finalizou Hayley, sem dizer nada, entregando o celular a Taylor. Suas lágrimas escorrendo, silenciosamente.

- Estarei indo para Nova Iorque amanhã. Eu preciso ver Chad!

- Hayley, se acalma, por favor, não é tão simples. A mãe dele estará indo pra lá, lhe passará notí...

- Não! Eu irei, preciso ver Chad, você não entende? - Hayley interrompeu Taylor, com raiva. Sua voz tremendo e ainda chorando. - Ele corre risco, e eu não estou lá. Que espécie de namorada sou eu?

Taylor ficou sem palavras. Soltou os braços de Hayley. Ela foi rapidamente arrumar suas coisas e por fim dizendo:

- Me deixem sozinha, por favor, eu sairei do quarto quando terminar de arrumar minhas coisas. Avisem que não estarei aqui amanhã, ou melhor, hoje. - Ela estava em pé, em frente uma janela, visando a rua pouco movimentada do hotel. Era uma avenida larga, havia alguns carros passando ali. Hayley sentia vontade de entrar em algum deles e ir até Chad, o mais rápido possível.

Eram nove da manhã. Hayley conseguiu um voo para Nova Iorque para as três horas da tarde. Taylor e Jeremy insistiram em ir com ela, mas ela preferiu ir só.

Ela entrou no carro e foi até ao aeroporto. Fez o check-in e entrou no avião. Lá, Hayley sentou ao lado de um homem. Por ironia do destino, ele se parecia com Chad. Ou seria apenas a mente de Hayley visualizando o rosto do seu amado? Hayley queria ligar seu celular e ligar para a mãe de Chad ou para o hospital, cujo número ela não sabia, e saber como Chad estava. Não tinha notícias fazia horas.

Hayley voltou a pensar em: “Que espécie de namorada sou eu?”. Ela se sentia culpada, por incrível que pareça.

Nos interfones do avião, Hayley ouviu a aeromoça avisar que estariam decolando a qualquer momento no aeroporto de Nova Iorque. Isso deixou Hayley tão ansiosa e tensa, que suas mãos estavam frias, muito frias.

Então ela estava em terra firme, novamente. O avião havia decolado. Finalmente.

Hayley estendeu sua mão e chamou um táxi. Daqui a alguns minutos, estaria vendo Chad, reencontrando-o depois da notícia que recebeu. Hayley não sentia mais vontade de chorar. Mas seu coração estava quebrado.