Capítulo um.

                 Hayley Williams vivia com sua família (pai e mãe) na cidade do Mississipi, podemos dizer que sua vida era boa, muito boa. Adorava o lugar, tinha ótimos amigos, até uma paixonite de adolescente. Tinha o sonho de se casar e ter dois filhos nessa cidade.

                 Mas tudo isso foi mudado, estragado, seu mundo de fadas foi destruído, foi queimado, deformado. Ela nunca soube ao certo porque isso aconteceu, mas teve que aceitar. Aceitou tudo fortemente até certo ponto...

 

18 de julho de 2003

 

         “Hoje aconteceu algo horrível, não sei ao certo o que foi, mas não me sinto bem, mamãe e papai tomaram uma decisão horrível, uma decisão sem sentido, eles decidiram mudar, eles falaram que papai recebeu uma oportunidade de trabalho, e que nossa vida vai melhorar, mas sei lá, minha vida já é perfeita... Logo agora que eu comecei a me organizar, isso inclui tudo, amor, escola, até meu quarto. Não entendo bom, se é isso que eles querem, tenho que aceitar, aliás, só tenho treze anos...”.

         - Mamãe, quando partiremos?

         - Amanhã cedo. – Aquilo foi um baque para Hayley, tudo já tinha começado a se organizar, até a ideia da viagem, a tal mudança...

         - Mas, estava previsto para semana que vem!

         - Querida, entenda, imprevistos acontecem!

         As coisas estavam difíceis, começaram a se embaralhar novamente, Hayley estava triste, brava, nem ela sabia o que sentia...

         - Mamãe, então eu posso pelo menos me despedir dos meus amigos?

         - Claro querida, você deve fazer isso!- Sua mãe falava isso, porque não sabia o quanto era difícil para sua filha largar tudo para começar uma nova vida.

         Hayley pegou o telefone, e discou o número da sua melhor amiga.

         - Jay, tenho uma coisa horrível para lhe contar.

         - O que aconteceu linda?

         - Aconteceu um imprevisto, e vou ter que me mudar amanhã. – Ela estava quase chorando, ela não estava se aguentando.

         - Mas, por quê? Estava tudo certo para você partir semana que vem, não entendo.

         - Flor, queria eu, entender pelo menos um terço dessa história. – Era verdade, Hayley ultimamente não mentia, a verdade transparecia em sua face.

         - Amiga, podemos nos encontrar, para pelo menos nos despedirmos?

         - Claro claro.

         O encontro não foi o mais agradável, Hayley chorou mais que tudo, e o quanto pensou em seu passado, pensou até mesmo nas aulas, que um dia mesmo tediosas, a fazia feliz. Tudo que ela queria neste momento era voltar no passado, tentar mudar a opinião dos seus pais. Ela estava sofrendo.

         - Filha, já terminou de organizar suas coisas?

         - Sim mamãe. – Hayley evitava olhar os olhos de sua mãe, sabia que se fizesse isso, iria cair nos prantos.

         - Durma cedo, por favor, vamos sair bem cedo amanhã.

         - Sim mamãe.

 

18 de julho de 2003.

 

         “Best, eu não estou conseguindo, esses dias estão acabando comigo, amanhã vou me mudar, vou EMBORA, deixar tudo, acabar com tudo, espero que isso sirva para alguma coisa, espero que EU tire algum proveito disso. Não posso reclamar tanto, aliás, poderia ser pior. Poderia... Obrigado Deus por não ser pior obrigado por não acontecer certas coisas...”.

         ‘ Onde está o filme a última música, aliás, algumas lágrimas, neste momento, não sairiam forçadamente. ’

         Hayley assistiu ao filme, e como sempre que assistia, chorou do começo ao fim...

              - Filha, acorde, temos que partir.

         - Mas papai, ainda são três da manhã!

         - Filinha, por favor, temos que ir logo, pois assim chegaremos mais cedo. – Mais cedo, e que importância isso teria?

         - Está bem papai, desço em cinco minutos.

              - Obrigado.

                                                                           ...

 

 

 

 



Capítulo dois.
       

               Hayley conseguiu tirar um cochilo, mas não conseguiu ter bons sonhos, só conseguiu sonhar com sua despedida, e claro com sua paixonite... Aliás, ela não se despedira dele, então se acrescentava mais uma coisa a sua lista de “motivos para ficar triste”. Seus pais tentaram deixa-la alegre, colocaram músicas de bandas que ela amava: Avenged Senfold, Evanescence, bom, e por ai se segue. Mas mesmo assim, eles não conseguiram as músicas só a deixavam mais triste, pois elas lembravam-na de seus amigos, e claro, ele.

         - Querida, o que há?

         - Mamãe, você sabe, eu não queria vir, isso está acabando comigo, você sabe o quanto é sofrido pra mim ter que deixar tudo para trás, e começar uma vida nova, como se eu tivesse morrido e nascido novamente.

         - Mas queria, nós já lhe explicamos, vai ser melhor, por favor, fique bem, por nós.

         - Ok, vou tentar, vou tentar...



         19 de julho de 2003



         “Já estamos chegando, estou aqui, novamente desabafando o que estou sentindo, é difícil, mas vou tentar, vou tentar, me controlar, e claro, não fazer nada que me leve para cadeia, eu só queria falar com Danniel, é minha vontade, não pude me despedir dele, não deu tempo, nossa, eu o amo tanto, mais tanto mesmo, sei lá, não sei se consigo aguentar mais um pouco, mas eu vou tentar...”.

         O carro parou.

         - É aqui? – Ela perguntou, até se agradou com o que viu, ficou feliz com o estilo da casa, mas como ela sabia muito bem, nem sempre as coisas são o que aparentam ser.

         - Sim, é aqui. Acho que você conhece o bairro.

         - Sim, conheço, é a Rua Muster no Tennessee certo? – Ela sabia que era, mas queria ter um por cento de chance de ser mentira, mesmo sabendo da verdade.

         - Isso mesmo querida, sua tia Ana Bethe mora na rua debaixo, acho que vai gostar. – Sua mãe nem imaginava que a filha estava odiando aquilo, achava que o que ela falara, era momentâneo, aliás, sua filha ainda era uma adolescente.

         - Bom, vamos descer. Se quiser querida, pode dar uma volta pela rua, talvez você conheça alguém interessante.

         - Pode ser... – Como se ela concordasse.

“Nossa, encontrar alguém legal no Tennessee? Hahaha, conte-me outra piada. Não que eu não goste da cidade, eu me lembro de que passava uma semana aqui, quando estava de férias. Lembro-me vagamente. Mas claro, não é a mesma coisa, sempre vou preferir Mississipi.”

         Hayley andou pela rua, foi e veio umas cinco vezes, não se cansou de fazer isso, até porque era um meio de refletir, pensar como aguentar isso. Ela sabia que não seria tão difícil, mas também não ia ser uma conta de 2+2. Até então, ela não encontrou nenhum vizinho que a interessasse, infelizmente.

         - Hayley, venha para dentro, temos que lhe contar uma coisa!

“Mais uma? Da última vez, eu tive que me mudar de cidade.”

         - Sim mamãe, o que aconteceu?

         - Você já está matriculada na escola do bairro.

         - Mais já?- Aquilo foi uma paulada em suas costas.

         - Sim, sua tia fez esse favor para nós. Você vai começar a estudar na sexta.

         - Mas, eu ainda não conheço ninguém!

         - Não se preocupe, sua prima estuda lá!

“Nossa que bônus, minha prima tem o que? Oito anos?”

         - Mamãe, eu não posso esperar até segunda? Por favor, talvez eu faça amizade com alguém! – Ela sabia que isso era impossível, ela não quer ter amizade com ninguém daqui.

         - Querida, acho que não, pois você é nova, então é bom causar boa impressão.

“Impressão: Odeio você, e também sua família!”

         - Ah não mamã...

         - Sem mais Hayley, você vai para a escola na sexta e ponto final!

         - Está bem. – Ela odiava discutir com sua mãe.

         As coisas estavam mais graves, ela não tinha amigos, não conhecia ninguém, daqui dois dias teria que ir para um local desconhecido, um local onde não conhecia ninguém, um local desolado para ela. O que ela faria? Nem ela sabia... Achava que teria que passar dois dias dentro de casa, mas uma coisa a impressionava, ela não estava com raiva de seus pais, estava com mais raiva dela mesma, estava com raiva por não ter mudado a decisão de seus pais, raiva de não ter se despedido de vários amigos, e principalmente de Danniel. Isso estava infernizando ela, como se fosse fantasmas, fantasmas que a cercavam. Mas agora, ela não poderia fazer nada...



...



Capítulo três

         Hayley passou dois dias em casa, só saía para ir à casa de sua tia, não fez nenhum amigo, e nem queria... Teve que ficar ouvindo sua prima falar de como a escola era boa, e que ela iria adorar. Hayley ficou irritada, pois as únicas coisas que sua prima falava da escola, além dos atletas, eram sobre os professores que ela considerava “gatos”. Bom, não que Hayley achou ruim, mas ela poderia ter falado de como são as pessoas de lá, como elas convivem, pois isso que importava.

         Depois de ouvir, por dois dias sobre atletas e professores, Hayley foi ver se era realmente verdade, era o seu primeiro dia de aula.

         - Querida, está tudo bem com você? – Sua mãe perguntou com um ar de caridade.

         - Claro que estou mamãe, fique tranquila, tudo vai ficar bem!- Hayley, era o tipo de pessoa que acalmava os pais, aliás, o que ela ganharia deixando-os preocupados?

         - Sua prima deve estar chegando daqui a pouco.

         - Ok.

         Para o primeiro dia de aula, Hayley escolheu uma roupa casual. Meia calça preta, rasgada, saia jeans, e uma blusa dos Ramones (claro preta). Não abusou na maquiagem, ela nem gostava de usar maquiagem. Bom, ela estava se sentindo bem.

         Trim. Trim., fez a companhia.

         - Prima! Pronta para o primeiro dia?

         - Claro! – Ela mentiu para si mesma.

         - Então, vamos?

         - Sim. Mamãe já estou indo.

         - Ok querida. Vá com Deus!

         Quando estavam indo pra escola, a prima de Hayley não falou muito, ela adorou isso, pois estava prestes a estrangula-la!

         - Então, você já conheceu alguém daqui? Digo algum gatinho?

         - Não querida, ainda não conheço ninguém, quando eu conhecer eu aviso tá bom?

         - Tá, mas por que você está assim?

         - Assim como?

         - Com essa cara de triste.

         - Não é nada só estou pensando!

         - Então tá.

         Caminharam por mais uns cinco minutos, sua prima não lhe fez mais perguntas, só falou sobre suas matérias, bom, Heyley não tinha nada contra esse assunto, aliás, não envolvia garotos. Infelizmente, chegaram à escola:

         - Então aqui que é a tão famosa escola?

         - Sim, não é linda?

         Ela se deparou com um prédio até que justo, era parecido com sua antiga escola, bom, dava para aguentar.

         - É agradável.

         - Então tá, vou te deixar na secretaria para pegar seus horários.

         - Tá bom.

         Elas passaram por vários corredores. Bom, parecia que Hayley era o centro das atenções, ela nem sabia por que, mas estavam olhando para ela. Isso a deixava nervosa.

         - Bom, aqui estamos. Agora eu tenho que ir.

         - Por favor, não me deixe, me leve até a primeira aula! – Hayley parecia uma criança, mas já era de se esperar.

         - Tá bom, mas só a primeira, porque se não me atraso.

Uma mulher foi atendê-las.



         - Posso ajudar? – Perguntou a mulher.

         - Sim, eu gostaria do horário da aluna Hayley Nichole Williams.

         - É essa aqui? – A mulher apontou para Hayley.

         - Sim, sou eu. – Hayley deu um sorriso forçado.

         - Sim, está aqui, seja bem vinda, senhorita Williams.

         - Obrigada.

Retiraram-se, e começaram a andar pelo corredor cheio de pessoas desconhecidas, com seus trajes despojados.

         - Olha que legal, sua primeira aula é de Português, bom, dizem que é melhor você não encarar a professora, falam que ela pega ódio das pessoas, só por um olhar.

         - Nossa, que coisa boa, mas em que sala que é? – As pessoas continuavam a olhar para ela.

         - Sala quatro, esta aqui.

         Que sorte que ela teve, já ia ficar sozinha, com rostos estranhos a encarando, já era um começo muito ruim. Muito...

         Ela entrou na sala, sentou-se ao fundo, tentando evitar os olhares, mas parecia impossível. Ela decidiu fingir que estava lendo, era o melhor a se fazer. Sem que ela percebesse um garoto sentou-se ao seu lado, ela estava com medo de olhar para frente ou lados.

         Passou-se mais uns cinco minutos, e a professora entrou na sala:

         - Bom dia alunos, como estão?

         - Bem! – A classe respondeu.

         - Bom queridos, temos uma aluna nova! Por favor, venha aqui.

         Ela apontou para Hayley, e toda a turma olhou inclusive o garoto sentado ao seu lado.

         - Fale um pouco sobre você, por favor.

         - Olá, meu nome é Hayley e vim do Mississipi.

         - Hum. Mississipi, legal. – Disse uma garota com cabelos loiros e blusa colada.

         - Sim, lá é bem legal.

         - Bom, pode se sentar.

         - Obrigada.

         A aula estava andando muito bem, ela estava aguentando. Finalmente o garoto que estava ao seu lado, falou com ela:

         - Olá Hayley, meu nome é Jeremy, tudo bom?

         É Hayley estava arrasando corações...

         - Sim, estou bem, e você?

         - Também, posso te fazer uma pergunta?

         - Claro que sim. – Ela percebeu que o garoto era atraente, não o tipo dela, talvez pudesse acontecer algo entre eles, mas era melhor não.

         - Você gosta dos Ramones?

         - Sim, gosto muito- ela olhou para sua blusa - e você gosta?

         - Gosto muito... Bom, acho que podemos nos dar bem. Se precisar de companhia pode me chamar tá?

         - Claro!

Um aviãozinho rosa caiu em sua mesa.

“Hei se prepare.”

         - O que aconteceu?- Perguntou Jeremy.

         - Olhe isso aqui. – Hayley nem conhecia o garoto direito, mas aquilo não era nada.

         - Quem mandou? – Perguntou ele amassando o papel.

         - Não sei, mas não se importe, não é nada, eu sou nova, e não sou igual a elas - ela sabia que aquilo era de uma garota, era de se esperar.

         - Não Hayley, se isso veio de quem estou pensando, a coisa está séria.

         - Eu não me importo, já lidei com coisas piores. – Hayley se lembrou da mudança.

         - Então tá, mas se arranjar problemas pode me chamar.

Eles riram, e a aula acabou...

         O resto do dia não foi tão bom, o conteúdo de matemática era horrível, a professora de artes era chata, e ainda por cima, tinha uns professores que não impunham moral na sala. Ela foi para casa, e ficou pensando no aviãozinho rosa, mas afinal, quem mandou isso para ela?

         - Filinha, como foi o primeiro dia de aula? – Sua mãe parecia contente.

         - Foi bom mamãe, mas estou cansada. – E não era mentira, esse dia fora muito cansativo.

         - Então está bem, pode ir para o quarto...

         - Obrigado.



22 de julho de 2003

“Olá amiguinho, hoje foi o primeiro dia de aula, assim, conheci um menino ele parece legal, o nome dele é Jeremy, bom, ele é loiro, usa blusas xadrez, e assim, é bem legal, é muito engraçado, ele me faz bem... Mas não vá pensando que estou apaixonada por ele, aliás, meu amor pelo Daniell, ainda é muito forte, eu o considero um bom colega, acho que se eu conhecer um pouco mais, eu posso tê-lo como amigo. Só uma coisa que eu O-D-I-E-I na escola: As garotas. Não falei nada para ninguém, mas elas são o tipo de garota que eu quero distância, são garotas fúteis. É... tenho mais uma coisa a contar. Hoje, uma garota, ainda não sei quem foi, só sei que foi uma garota, me mandou um aviãozinho escrito: Hei se prepare. Não entendi muito, mas acho que vai dar confusão, como eu queria ter minha Best aqui pra contar isso pra ela, seria tão mais fácil... Bom, acho bem melhor pensar nas coisas boas, como os novos amigos, Caracas, achei que isso ia ser impossível, mas estou começando a aprender coisas novas...”



Capítulo quatro



         - Filha me faça um favor?

         - Sim mamãe.

         - Vá ao mercado e compre batatas, por favor.

         Hayley se arrumou e foi ao mercado, e nem sabia o que a esperava... Ao sair na porta de casa percebeu uma coisa boa, até demais, Jeremy era seu vizinho.

         - Jeremy?

         - Hayley, ué você mora aqui? Que coincidência!

         - Sim, muita...mais ai, você está disponível este momento?

         - Claro!

         - Então você gostaria de ir ao mercado comigo?

         - Claro, vamos lá!

         Eles caminharam, conversando sobre música, comidas e bebidas. Os dois estavam à vontade, o tempo passou como um raio. Eles chegaram ao mercado bem rápido.

         - Então, o que você vai comprar?

         - Batatas.

         Os dois riram. Hayley olhou para o lado e viu uma garota que ela reconhecia da aula de português.

         - Ei Jeremy, aquela não é a garota da aula de português?

         - Sim, é ela.

         - Qual o nome dela mesmo?

         - Nathalia. Por quê?

         - Não só achei interessante saber. – Ela recordara do momento em que o aviãozinho caiu sobre sua mesa, e lembrou-se daquele rosto, o rosto de Nathalia. Algo inundou seus pensamentos, e por um segundo ela se desconectou do mundo real...

         - Hayley, você está bem?

         - Sim, estou bem.

         Nathalia reconheceu o rosto de Hayley. Ela foi a sua direção, olhou bem nos olhos de Hayley e disse:

         - Olá vagabunda, o que está fazendo aqui?

         Hayley ficou sem reação, não sabia o que falar, nem sabia por que Nathalia estava falando assim com ela, a única coisa que fez foi falar que Mississipi era realmente uma boa cidade, era legal. Mas o que realmente Nathalia tinha entendido: “Ela quer entrar numa briga comigo”.  As coisas começaram a se complicar novamente.

         - O que você disse? – Perguntou Jeremy com um tom de voz firme.

         - Somente a realidade. – Respondeu Nathalia com a voz seca.

         Hayley sabia que aquilo não os levaria a lugar algum, então tentou acabar com aquilo.

         - Não Jeremy, deixe, ela deve estar com problemas, sei lá, que tal TPM?

         Ela não devia ter dito isso.

         - TPM é a sua mãe, olhe, pense bem antes de falar de mim! – Ela disse isso com um dedo na cara de Hayley.

         Hayley sem reação saiu correndo de lá, foi para casa, e assim que entrou, foi para o quarto, aquilo não podia estar acontecendo... Ela estava segurando as lágrimas.

         - O que aconteceu querida?

         - Nada mamãe, nada.

         - E então cadê a batata?

         - Não tinha.

         - Hum... Que pena, eu iria fazer purê de batatas. Mas já que não temos batata, o que você quer para comer?

         “Que tal tristeza com muita pimenta?”

         - Que tal lasanha?

         - É, pode ser...



22 de julho de 2003- Página extra

“Que droga, eu não lhe disse que isso seria uma briga? Acabei de voltar do mercado e quem estava lá? A menina que jogou o aviãozinho de papel na minha mesa, ela me chamou de vagabunda! E colocou o dedo na minha cara. Eu não entendo, eu não fiz nada para ela, então por que ela fez isso comigo? Será que isso vai durar muito tempo?”


         Depois do jantar, Hayley deitou em sua cama e chorou quase toda noite... Ela nem sabia o que aconteceria no dia seguinte...



...



Capitulo cinco

         Hayley passou seu final de semana pensando no ocorrido. Ela não entendia, aquele só fora o seu primeiro dia e já lhe tinha rendido muito... Ela pensava como iria resolver a situação, mas parecia que nada a ajudava, nem mesmo a presença de Jeremy, que a consolava diariamente... As coisas estavam lhe parecendo muito confusas, sua mente estava novamente atordoada.

 


23 de julho de 2003

 

“Caracas, não sou de ficar assim, mas sei lá aquilo foi forte mexeu realmente comigo, a garota estúpida, não sabe interpretar as coisas da maneira correta, isso me irrita me dá raiva!”



         - Hayley, Jeremy está lhe chamando.

          Ela desceu as escadas, numa lentidão infernal.

         - Olá Hayley, você está melhor?

         - Um pouco, e você?

         - Eu estou bem, até de mais. – Como ela queria estar assim.

         - Que legal!

         - Hum, você quer sair comigo e uns amigos de noite? Vamos ao Point Bol.

         - Que lugar é esse?

         - É o boliche do bairro.

          Hayley estava precisando disso, urgentemente.

         - Claro que sim...

          Ela passou a tarde todinha pensando em como seria sua noite, sem ofensas ela queria que tivesse uma coisa a mais, não uma coisa proibida, somente uma coisa de adolescente...

         - Mamãe estou saindo!

         - Aonde você vai?

         - Vou ao boliche com Jeremy.

         - Ok, não volte tarde por favor.

         - Sim, não voltarei tarde.

         - Olá Jeremy, vamos?

          Ele demorou um pouco para responder, estava encantado com o que via.

         - S-sim, vamos...

          Eles foram conversando, sobre tudo que lhes vinha a mente. Ele estava completamente encantado com o que via, afinal, Hayley estava linda, e ele gostava disso. Não sabia o por que, mas gostava...

          O local do boliche até que era ajeitado... Não tinha do que reclamar.

         - Bom, é aqui.

         - Hum, legal, mas onde estão seus amigos?

         - Bom, esqueci de te falar, mas eles não poderão vir.

         - Por quê? O que houve? Eu estava tão ansiosa para conhecê-los!

         - Um imprevisto. Outro dia eu lhe apresento a eles.

         - Então tá...

          Eles jogaram durante duas horas, depois foram lanchar.

         - Hayley, você está muito linda. – Ele disse meio envergonhado.

         - Muito obrigado, você também está. – ela estava esperando por algo a mais.

         - Posso te pedir uma coisa? – Ele estava tremendo.

         - Claro. – Ela também tremia.

         - Dorme lá em casa hoje?

         - Claro, só tenho que avisar minha mãe.

          Claro que a mãe de Hayley deixou. Eles foram para casa de Jeremy, assistiram muitos filmes e no final da noite, dormiram pensando em o que fariam na escola...



...



Capítulo seis



         Jeremy e Hayley se arrumaram e foram para escola. Ela achava que o dia seria melhor, mas nem sempre as coisas são como queremos.

         - Temos a primeira aula juntos certo?

         - Sim, temos... Aleluia!

         - Olhe quem chegou, a vagabunda e o pagador de...

         - Nathalia, por favor, não comece. Ainda estamos na segunda feira!

         - A cala sua boca seu pagador de...

         - Nathalia, por favor, deixe-nos em paz!

         - T-E-O-D-E-I-O – Ela teve esta ousadia e em seguida foi em bora com sua saia mostrando partes que não deveria.

          Hayley só não entendia o que ela queria dizer com pagador de... Mas deixou quieto.

         - Então, vamos para sala?

         - Sim, vamos...

          Como na sexta-feira todos olharam para Hayley.

         - Queridos alunos, eu quero ver a atividade que passei na sexta.

          “PQP” pensou Hayeley, ela esquecera-se de fazer a atividade. Ela estava com a sentença de morte em suas mãos...

         - Hayley, você fez? – Perguntou Jeremy.

         - Não, foi tanta confusão que eu esqueci... E agora?

         - Caracas, não se preocupa eu também não fiz!

 

         - Ah, mas você já é velho aqui, eu não, ela já te conhece, a mim, não!

         - Fica tranquila! Eu resolvo!

         - Professora, eu posso olhar? DEIXA, DEIXA POR FAVOR!

         - Ok, pessoa, o Jeremy vai passar olhando!

          É, ele salvou sua amiga... ah se ele soubesse o tanto que ela o de...

         - Hayley, vagabunda!

         - Ah, essa que é a tal vadia desgraçada?

         - Sim, é essa.

         - Olá vagal, meu nome é Anna.

          Hayley não deu ouvidos, saiu de perto delas, era o melhor a se fazer. Tá ela não aguentou, e como sempre fazia quando estava magoada, chorou bastante.

         - Hayley, o que está havendo? – Perguntou Jeremy.

         - Jeremy, novamente aquela garota imbecil veio me provocar, só que agora veio com companhia!

         - Deixa eu adivinhar, veio ela e a Anna?

         - Sim.

         - Hayley, não liga, essa escola é cheia de pessoas assim, pessoas medíocres e idiotas, que não conseguem ver a perfeição que certas pessoas têm.

          Ah, como ele queria que ela soubesse o quanto ele a de...

         - Posso te falar uma coisa Heys?

         - Claro Jeremy.

         - Chore, pois assim sua dor vai ser aliviada.

          Ela sabia que ele estava certo, pois as lágrimas ajudam a lavar seus olhos e aliviar a dor do seu coração.

         Obedecendo ao pedido de Jeremy, Hayley chorou, e quando parou, simplesmente o abraçou...

 

 

Capitulo sete

 

 

         Hayley chegou a sua casa com os olhos vermelhos de tanto chorar, mas não contou para sua mãe. Como ela queria uma mãe mais inteligente nesse ponto, uma mãe que pudesse perceber quando ela estava mentindo. Foi diretamente para seu quarto. Pegou seu diário e começou a escrever.

 

 

24 de julho de 2003

 

“Sinceramente, eu não entendo essas garotas, eu simplesmente não fiz nada, e mesmo assim, elas não largam do meu pé. Será que eu causo tanto impacto assim nas pessoas? Ou então elas não têm noção do que acontece? Pelo menos eu tenho o meu amado Jeremy, acho que nós estamos tendo uma simples amizade, mas sim uma grande amizade... Mas ainda sinto falta de Daniell. Espero que esses tempos passem logo!”

 

 

         Ao fechar o seu diário, pensou em como mudar a situação, mas não achou se quer uma solução favorável a ela... Terminou os exercícios, e em seguida saiu com Jeremy, aliás, ele era seu único amigo no meio de tantos inimigos, tanto...

         - E ai Hays, você está melhor? – Ela sentiu que ele estava preocupado, muito preocupado...

         - Estou bem, querido, mas ainda não entendo por que elas me tratam assim. – Sua voz saiu fina, como se ela fosse chorar, mas ela sabia que não ia chorar, não naquele momento.

         - Hays, elas só te tratam assim, por que tem inveja de você, essas garotas são simplesmente umas vagabundas, creio eu que nenhuma delas ali é virgem. Elas, simplesmente, não tem respeito por elas próprias.

         - Mas Jeremy, o que elas ganham com isso? – Além de um novo brinquedinho?

         - Sua irritação, suas lágrimas – ele falou sussurrando - elas não sabem como seu sorriso é lindo.

         O que eles sentiam era inexplicável, era sem sentido, mas Hayley ainda mentia para si mesma que ainda sentia algo pelo Daniell.

         - Jeremy, pra onde vamos? – Ela estava bem interessada.

         - Nós vamos ver uns amigos meus.

         - SÉRIO? – Ela estava esperando por esse momento, queria saber se os amigos dele eram iguais a ele, em todos os sentidos que ela conhecia... Ah, como ela queria saber mais um...

         - Sim, marquei com John, Zac e Josh.

         - Que legal! – Ela estava gostando da história.

          Eles caminharam por ruas vazias e escuras, um local que Hayley amava. O escuro. Quando chegaram, Hayley se deparou com dois irmãos (ela sabia que eram irmão pelas suas características fortes) e um cara de seus 20 anos. Sim, Jeremy tinha amigos super... “Gatos”, mas não era isso que Hayley queria saber...

         - E aí pessoal, como estão vocês? – Disse Jeremy com um sinal para seus amigos.

         - Beleza cara? – Disse o carinha de 20 anos.

         - Beleza, e vocês dois, não vão falar nada não? – Um dos irmãos estava olhando fixamente para Hayley, e ela não gostava disso.

         - Sim, estamos bem! Mas quem é essa aí? – Disse o irmão menos interessado.

         - Essa é Hayley, é minha amiga. Hays, esse é Zac, esse é Josh e esse é John. – Disse ele apontando para cada um.

         - Olá pessoal. – Ela disse timidamente.

         - Oi Hayley, como você está? – Disse o John.

         - Estou bem.

         - Bom, o Jeremy chegou, então ele pode gravar para nós.

         - Gravar o que? – Disse Hayley para Jeremy.

         - Um vídeo-clip da banda deles.

          Hayley fingiu não se importar, mas ela sabia como isso era maravilhoso. Ela cantava na igreja e nas paradas de ônibus e ela se orgulhava disso!

         - Qual o nome da banda de vocês? – Sim, Hayley estava interessada.

         - Ah, pensei que não ia perguntar! – Houve risos pela sala. – É Destrutions.

         - SÉRIO?

         - Sim.

         - Muito legal, muito mesmo.

          O vídeo-clip foi gravado, ele ficou muito bom. Hayely descobriu que Jeremy tinha um ótimo dom de edição. Ele estava a encantando muito... No final da gravação, ele a chamou no canto:

         - Hayley, posso te contar uma coisa? – Ele estava meio nervoso.

         - Claro Jeremy, fale.

         - Assim, sei que nós não nos conhecemos ha tanto tempo, mas não sei como, você já é muito esp... – Uma voz o chamou.

         - JEREMY VENHA CÁ!

          Sinceramente ele estava odiando o Josh.

         - O QUE FOI JOSH?

         - Como coloca o vídeo no youtube?

         - Tá, para com isso né, você sabe colocar!

         - Mas eu esqueci.

         - Sai daí, deixa eu fazer isso!

          Ele não devia ter feito isso...

          Josh foi falar com Hayley, instinto ou não, ela não deveria ter aceitado.

         - Olá garota.

         - Oi, tudo bem com você?

         - Não muito bem...

         - Por que, o que aconteceu? – HAYLEY ACORDA, PARA COM ISSO!

         - Por que ainda não provei isso.

          Ele a agarrou, deu-lhe um beijo. Um beijo profundo, mas muito forçado, ela deu-lhe um tapa na face, e saiu correndo. Como ele fora capaz de fazer uma coisa dessas?

          Jeremy saiu correndo atrás dela.

         - Hayley, venha cá.

          Ela parou e esperou ele chegar perto.

         - Por que você não me disse que seus amigos são tarados? – Disse ela limpando os lábios.

         - Mas nunca nenhum deles fez isso!

         - A sim, e eles não sabem tratar uma garota?

         - Eles podem não saber, mas eu sei. – Eles dois se encostaram, Jeremy passou a mão no pescoço dela e deu-lhe um beijo.

         – Hays...

         - Sim, diga.

         - Você quer ser minha namorada? – O coração dele quase saiu pela boca.

         - Jeremy...

         - Diga Hayley. – POR FAVOR DIGA SIM.

         - Acho melhor, não misturarmos as coisas...

         - Mas, mas por quê?

         - Cara, eu te amo muito... Mas, eu te amo como amigo, e eu não quero perder sua amizade... Me perdoe...

         - Sim Hays, entendo... – Uma lágrima caiu de seu olho.

         - Por favor Jeremy, não chore, não me deixe pior do que estou, por favor.

         - Hayley, muito obrigado...

         Eles voltaram para casa. Hayley estava mal, mas sabia que tinha feito a coisa certa, já Jeremy, estava muito mal.

 

 

Capítulo 8

 

”Hayley, muito obrigado...”  As palavras ainda soavam em sua cabeça...

         - Filha, acorde, você tem que ir para escola! – Mãe da Hayley, desesperada como sempre.

         - Oh, sim mamãe, já vou. – Hayley queria ficar em casa e dormir mais um pouco, os ocorridos da noite passada ainda não haviam sidos ingeridos.

          Ela entrou no chuveiro, a água quente sempre a ajudava a pensar melhor. Ela queria pensar melhor nesse momento, ela necessitava. Como ela queria que as coisas se organizassem...

         Para demonstrar sua tristeza, vestiu-se toda de preto, e quando ela se vestia de preto, era completamente de preto! Olhos, blusa, meia-calça, short, tênis...

         - Filinha, o que aconteceu? – Sua mãe podia ser ingênua, mas sabia quando sua filha estava triste.

         - Nada mamãe, só achei que hoje eu deveria ir de preto, faz um tempo que não visto preto. – Como suas mentiras ultimamente estavam convincentes...

         - Ok então querida, mas se algo estiver acontecendo, pode me contar, ok?

         - Claro mamãe...

         - Já estou indo.

         - Ok! Vá com Deus!

         - Amém. – Sussurrou ela.

         O caminho parecia ter se estendido, a caminhada estava sendo de muitas lembranças, ela estava se lembrando de cada detalhe da noite anterior. O beijo de Josh, o pedido de Jeremy, e claro, a realização do seu sonho, o beijo com Jeremy... Ela era muito idiota, como não pode aceitar namorar ele? Ela o queria e ele também! Mas ela sabia que tinha feito o certo, um dia eles iriam agradecê-la por isso!

 

           Ao chegar à escola, foi direto para sala, sentou-se no mesmo lugar, mas ele parecia diferente, diferente por que tinha um medo crescendo dentro dela, ela estava com medo de se encontrar com Jeremy, de ter que dirigir a palavra a ele.  Ela deu uma breve examinada na sala, por sorte as vacas não estavam lá, mas tinha algo de diferente além de seu medo, um garoto novo... Ele era um pouco parecido com Jeremy, claro não era loiro de olhos azuis, mas era lindo que nem ele, mas ele a agradou. Cara, Hayley, tira isso da cabeça, você já acabou com seu coração por causa do Jere...

         - Hayley?

         - Oh, olá Jeremy, você está bem? – Ela estava começando a suar.

         - Estou bem sim, e você?

         - Também... E ai, tinha dever de casa?

         - Não, graças a Deus. Mas por que você está toda de preto?

          “Por que estou mal comigo mesma!”

         - Por nada, achei legal vir de preto hoje.

         - Hum... Você já viu o garoto novo? – Ele parecia tentar esconder sua tristeza.

         - Sim, vi, você o conhece?

         - Claro que sim, esse é o Taylor York.

          “Taylor York” isso ficou gravado em sua mente...

         A aula acabou, e Hayley ficou muito feliz, porque nenhuma das “vacas” foram, isso era ótimo.

          Ao chegar a sua casa, Hayley pegou seu diário e começou a escrever:

 

 

25 de julho de 2003

 

“Amigo, as coisas estão muito esquisitas, ontem eu fui agarrada por um tal de Josh, amigo do Jeremy, em seguida, eu fiquei com o Jeremy, e ele se declarou pra mim! Isso é estranho! E ainda por cima, hoje entrou um aluno novo na minha turma, um tal de Taylor, ele é muito lindo, mas eu não quero me enturmar com ele, ele é amigo do Jeremy, imagina se esse ai faz a mesma coisa que o Josh? Credo, é melhor não pensar nisso, deixe o tempo resolver...”

 

         - Hayley, você tem visita...

         - Quem é? – Meu Deus, Hayley Hayley...

         - O Jeremy e um amigo...

          “Meu Deus, que amigo será?”

         - Olá Jeremy... – CARACAS MANO, É O TAYLOR!

         - Olá Hayley, este como já te disse, é o Taylor.

         - Oi, Taylor! – Ela estava vidrada nele.

         - Olá Hayley, como você está?

         - Bem, e você?

         - Também... Ãhn, vamos entrar!

         - Não, não. Eu quero ver se você quer vir conosco.

         - Pra onde vocês estão indo?

         - Para o parque, vamos respirar um pouco. Há.

         - A claro, vamos. MÃE, ESTOU INDO AO PARQUE COM O JEREMY E O TAYLOR!

          Eles caminharam cantarolando canções antigas, as risadas eram constantes, como o sorriso desses garotos era lindo! Hayley estava encantada com eles. A cada dia esse lugar a surpreendia mais e mais... Ao chegarem ao parque sentaram-se e começaram a conversar sobre a vida pessoal de cada um...

         - Taylor, por que você ficou esse tempão sem ir à escola?

         - Eu estava doente...

          “Doente?”

         - Tá vamos parar de falar na escola, Hayley, com quem você deu seu primeiro beijo?

         - Com o Daniell, era meu namorado... – Agora ela estava se lembrando das tardes que passava com Daniell. – E você Jeremy com que foi?

         - Foi com minha EX- namorada, a Jenna.

         - E você Taylor, com quem você deu seu primeiro beijo? – Hayley adorou essa pergunta!

          “Isso, conte-me tudo!”

         - Com ninguém, ainda não dei meu primeiro beijo. – Ele ficou vermelho.

          “Que coisa fofa, awwn que garoto lindo” – Pensou Hayley.

          Eles continuaram a conversar por mais alguns momentos, e depois, voltaram para casa.

 

 

25 de julho de 2003

 

“Acabei de chegar do meu passeio em Alice no país das maravilhas. E bota maravilha nisso. Sabe o Taylor, ele ainda não beijou ninguém, ele é tão fofo, depois que ele disse isso, ele falou que queria guardar o beijo dele pra pessoa certa... Como ele é fofo!”

 

 

Capítulo nove

 

          Sim, seus sonhos foram maravilhosos, Taylor... Jeremy... E ainda mais, sonhou com seus amigos que ela teve que deixar para traz, mas isso não a magoou, ela viu que ainda os amava muito. Ela nem queria ir para escola, queria ficar sentada no chão do parque, olhando para o tempo, pensando em Taylor e Jeremy... Mas infelizmente, ela teve que ir para escola. Era dia de revisão, ela não poderia faltar, nem pensar!

          Mas, depois da aula, iria chamar os garotos para irem ao boliche, ou então, comer uma pizza. As escolhas eram muitas, e ela adorava isso! Muito mesmo...

          Levantou-se da cama com o maior sorriso que poderia dar, foi para o banheiro, quase perdeu a hora, pois suas lembranças a inundaram... Quando foi tomar café, se deparou com a mesa mais linda, só tinha coisas que ela amava! Geleia de pêssego, torradas de pão integral, leite com adoçante... O seu dia estava muito bom... Estava...

          - Mamãe, já estou indo para escola.

          - Ok querida, boa sorte.

          - Obrigada!

          Saiu de casa, se deparou com quem? Jeremy e Taylor? Sim ou claro?

          - Olá Hayley, como está nesta manhã maravilhosa? – Perguntou Jeremy.

          - Estou bem, e vocês? – Sim ela estava muito feliz.

          - Eu estou bem... – Respondeu Taylor com sua voz aromatizante...

          - E você Jeremy? Como está? – Ela queria saber M-E-S-M-O!

          - Estou bem também, só estou nervoso por causa da revisão.

          - Mas por que? Só é uma revisão.

          - Ah, a professora, é simplesmente LOUCA. Mas enfim, só são algumas horas, certo?

          - Claro que sim!

          Eles andaram pelo trajeto, um longo trajeto, que para Hayley, foi o mais curto de sua vida. Ela estava, apaixonada?  Chegaram à escola, andaram um pouco pelos corredores, depois foram para sala.

          Ao entrarem, se depararam com uma torrente de insultos que se dirigiam a Hayley, o quadro de giz estava abarrotado com insultos, palavrões... Quem iria ter a coragem de fazer tal maldade? Claro! Ela, quem mais seria? Mas o que importa? Hayley fora destruída. Ela simplesmente caiu no chão e começou a chorar, como um simples ato poderia ter destruído com sua manhã tão boa?

          - Hayley, não se importe com isso, essas meninas não merecem suas lágrimas nem seu sofrimento! – Disse Jeremy.

          - Jeremy, como eu não vou me importar quando umas vadias fazem isso comigo, elas podem não saber, mas eu só sou um ser humano, e existe um esqueleto dentro de mim! Eu só queria saber o que eu fiz de tão errado para elas me odiarem tanto! – Ela abaixou a cabeça e começou a chorar novamente.

          - Hayley, não chora, acredite, você não é a primeira, EU já passei por isso, e elas só pararam de fazer isso comigo, quando comecei a ignorar, se não for assim, elas irão te perseguir até o final de sua vida escolar. – Disse Taylor, OMG, o Taylor já sofreu com isso, será que é por isso que ele não estava vindo à escola?

          - Taylor, você está falando a verdade, ou só está falando isso pra me deixar menos triste? – Sim, seu coração fora partido em mil pedaços naquele momento.

          - Claro que estou falando a verdade, tudo que eu quero é teu bem Hayley, podemos nos conhecer a apenas um dia, mas saiba: Eu quero muito ser seu amigo, e também quero seu bem, sei que se você não ignorar, elas não vão largar do seu pé. Sempre é assim.

          - Sério? – Perguntou ela enxugando uma lágrima.

          - Sim.

          - Muito obrigado, Jeremy e Taylor, se não fosse vocês eu não saberia o que fazer, muito obrigado por existirem!

          - Obrigado a você!

          - Hayley, gostou da minha surpresa? – Era Nathalia, como ela era cara de pau, fazia isso e ainda era capaz de ir perguntar se ela tinha gostado?

          - Vá embora Nathalia, por favor! – Disse Jeremy.

          - Cale a boca!

          - Claro que não, você acha que vou me render a você? Poupe-me, não sou igual a Fernanda, ou então Leticia, eu não tenho medo de você! Nunca tive, e nunca vou ter!

          - Olhe Hayley, sua vida vai se complicar a cada dia! Se prepare!

          Ela saiu, já haviam apagado tudo do quadro. Hayley não iria mais ter provas para acusar Nathalia, aliás, todos naquela sala, exceto Jeremy, tinham medo dela. Então, Hayley estava sozinha. Estava mais triste do que tudo, estava precisando de um copo de água de coco, com muito gelo, precisava ocupar a mente, pensar em como tratar essa garota imbecil e psicótica. Só tinha uma saída. Trata-la como um negócio da miséria.

         Depois da aula, Hayley recebeu um bilhete dizendo que ela deveria tomar cuidado, o perigo agora era seu melhor amigo. Mas tentou não se importar. Para deixar a mente vaga, chamou os garotos para verem um ensaio da banda do Josh, o amigo do Jeremy.

         - Ué Hayley, você não disse que nunca mais ia querer ver o Josh?

         - Mas eu estou indo para ver o ensaio da banda que ele faz parte, e não para ver somente ele.

         - Então tá né...

         Taylor, durante o trajeto, não falou nada, ele parecia meio triste com algo, mas ele tentava esconder...

         - O que foi Taylor?

         - Só estou pensando em algumas coisas.

         - Em que cara?

         - Nada de importante. Deixe pra lá.

         - Então tá né... Jeremy, eles estão com músicas novas?

         - Estão, uma delas se chama “Conspirance”, bem interessante né?

         - Sim, claro!

         Terminaram o trajeto cantando. Como Hayley cantava bem, meu Deus, voz divina.

         - E ai Josh, como você tá cara? – Perguntou Jeremy, pro safado tarado.

         - Estou bem, hum, vemos que trouxe boa comida! – Esse cara é muito salafrário mequetrefe, ordinário, só pensa nisso! Que isso em.

         - Por favor Josh, para com isso. Ela não está bem, e nem me pergunte o por que.

         - Então tá. Mas se ela precisar, estou aqui...

         Eles tocavam muito. Hayley simplesmente se fascinou pela banda, mas as lembranças do dia de hoje ainda latejavam em sua memória, e uma força que nem ela conhecia a fez cometer um dos maiores erros de sua vida.

         - Josh, venha cá. – Ela disse.

         - Sim, o que você quer docinho?

         - Me beije.

         - Claro.

         E eles se beijaram, Hayley não considerou aquilo como um beijo, mas sim como um projeto, decidiu sofrer mais um pouco, sofrer para tentar esquecer o que lhe fizeram de manhã, ela já tinha um plano para Nathalia, mas precisava antes, tirá-la de sua cabeça. Saia Nathalia, era o que ela pensava durante o beijo, quando ela abriu os olhos, não encontrou Jeremy, somente Taylor, e ele lhe disse que Jeremy tinha saído com lágrimas no rosto. Ela se culpou por isso, mas isso era necessário...

         - Taylor, converse com Jeremy por mim, por favor, ele deve estar com ódio de mim neste momento, mas isso foi necessário, depois lhe explico o porque.

         - Claro Hayley, vou conversar com ele agora mesmo.

         Ela foi para casa, e foi escrever.

 

 

26 de julho de 2003

 

 “Olá diário, hoje meu dia foi HORRIVEL. Primeiro, foi na escola, aquela vagabunda da Nathalia escreveu várias barbaridades a meu respeito no quadro de giz, mas imagine as coisas feias, gente ninguém merece isso para vida, com exceção da Nathalia claro. Mas enfim, tive uma ideia, não vou fazê-la sofrer, mas também, não vou sofrer por ela... Mas deixe isso para depois, hoje, eu fiquei com o Josh, meu Deus, o que eu tinha na cabeça? Eu não sinto nada por ele, mas sei lá achei preciso, e o pior, Jeremy está com raiva de mim, isso não é bom...”

 

 

Capítulo dez

 

          Hayley jantou e foi à casa de Jeremy, ela tinha que conversar com ele.

          - Olá Hayley, como está? – Perguntou a mãe de Jeremy a abrir a porta.

          - Sim, estou bem senhora Davis, e a senhora?

          - Também estou, você quer falar com Jeremy?

          - Sim, quero sim.

          - Pode entrar, sabe onde é o quarto dele.

          - Muito obrigada.

          Hayley estava pensando, o que ela falaria para Jeremy? Ela estava sem palavras, não tinha como explicar para ele o que havia acontecido, sim, ela estava muito complicada.

          - Jeremy, posso entrar? – Ela perguntou com a voz trêmula.

          - Claro Hayley, entre.

          Ela entrou, ele estava com Taylor, eles estavam sentados no chão conversando.

          - Jeremy, tenho que falar com você.

          - Eu também.

          - Taylor, você poderia esperar lá fora, por favor?

          - Claro!

          Após a saída de Taylor, Hayley sentou-se no chão.

          - Jeremy, me perdoe por ter feito o que fiz, sério,  foi por impulso, eu não sinto nada pelo Josh, eu juro!

          - Eu sei Hayley, mas me explique de quem você gosta? Isso é importante pra mim.

          - Sinceramente, não sei Jeremy. Você e Taylor são muito especiais para mim, e não quero ter uma relação com vocês entende? Eu quero preservar nossa amizade, enfim, vocês são mesmo importantes para mim!

          - Mas Hayley, eu te amo tanto, e por isso entendo sua parte, mas por favor, não saia ficando com qualquer um.

          - Ah Jeremy, o que eu seria sem você? Eu te amo muito viu?

          Ele fez que sim com a cabeça, depois disso, ela deitou-se em cima do colo dele e deu- lhe um beijo na bochecha.

          - Jeremy, tenho mais uma coisa a falar.

          - O que?

          - É sobre Nathalia, eu decidi, eu estou sofrendo muito com ela, então decidi que vou mudar de escola, uma escola mais calma... Ainda não falei com minha mãe, mas vou falar.

          - Hayley, não precisa de nada disso. Você sabe que ela não merece um ato desse...

          - Mas não é por ela, é por mim.

          - Você tem certeza?

          - Absoluta certeza.

          - TAYLOR ENTRE POR FAVOR, TENHO QUE CONVERSAR COM VOCÊ!

          - Sim Hays, o que foi?

          - Eu vou mudar de escola.

          - Por que Hays? – Uma lágrima caiu de seus olhos.

          - Por causa de Nathalia, eu estou sofrendo muito, esses últimos dias, estão me fazendo sofrer muito. Então tomei essa decisão.

          - Querida, você tem certeza?

          - Absoluta, vai ser melhor pra mim...

          Após isso, os três se abraçaram, a amizade deles era muito mais importante do que qualquer coisa neste mundo. Hayley, finalmente entendeu por que teve que se mudar, viu que foi melhor, conheceu pessoas maravilhosas, nada neste mundo poderia mudar isso. Sem dúvida, ela agradeceria sua mãe e seu pai, agradeceria por eles terem mudado a vida dela de tal maneira... Mas claro primeiramente teria que agradecer a Taylor e Jeremy, que além de demonstrarem para ela o que é uma verdadeira amizade, mostraram o que é um amor verdadeiro.

                                                   -Fim-

 

 

27 de dezembro de 2003

 

“Querido diário, finalmente o sofrimento acabou, além de tudo ganhei novos amigos, hoje é dia do meu aniversário, esses amigos lindos que eu ganhei, me deram uma festa surpresa. Foi lindo, aliás não te conto, comecei a namorar com Jeremy, vejamos que nossa amizade foi além das expectativas esperadas por nós né? Mas ele é muito fofo... Então você me pergunta que amigos... Sabe o Zac e o Josh? Nós agora somos amigos, e o Josh não está mais tarado, Graças a Deus. E a Nathalia? A essa está no lugar dela, ela se mudou, adivinha pra onde ela foi... Foi pro Mississipi, coitada, vai sofrer mais do que eu hahaha. Voltei pra minha antiga escola, e as ‘seguidoras da Nati’ estão todas minhas amigas, como é bom ter uma vida normal novamente, isso é perfeito.”